sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O que tem de interessante nos equinodermatas?

Ao iniciar meus estudos em equinodermatas, especialmente os ouriços-do-mar, tenho aprendido cada vez mais a analisar a evolução dos animais sem a visão de que o ser-humano é o mais evoluído das espécies. O que dizer de um grupo como os equinodermatas que são descritos há 500 milhões de anos atrás? Uma breve comparação com a nossa raça humana é que atualmente estamos preocupados com a elevação da temperatura ou acúmulo de CO2 no ambiente, no entanto, dá pra imaginar as enormes variações climáticas as quais os equinodermos conseguiram passar? Há algumas décadas atrás, pesquisadores e chefes de parques têm se deparado com um fenômeno interessante: o rápido crescimento da população de ouriço, seja em áreas recifais, ou em substrato com algas tem afetado negativamente a diversidade do ecossistema marinho em questão. Obviamente, se os ouriços conseguem literalmente raspar um substrato com suas potentes lanternas de aristóteles, é possível que toda a cadeia trófica local sofra consequências relacionadas à diminuição na quantidade de alimento (produção primária) ou competição por espaço. Esse evento foi recentemente descrito por Lira et. al (2009) na ilha de Fernando de Noronha, onde a espécies Tripneustes ventricosus (ouriço-branco) tomou conta de algumas áreas importantes da região. O problema pode ser mais agravante ainda, uma vez que a ilha de Fernando de Noronha possui algumas espécies endêmicas, ou seja, que só ocorrem para aquela localidade. Um exemplo é a donzelinha de rocas que luta arduamente para proteger seu território de outros peixes ou mesmo de um organismo espinhento e branco. É difícil apontar as causas desse evento, embora elas sejam conhecidas, como a retirada do predador natural (no caso, pela pesca), aumento de nutrientes na água (antrópico) ou sucesso de reprodução anormal em um certa geração. Seria esse fenômeno mais uma estratégia de sobrevivência que os ouriços estão utilizando para obterem vantagem sobre outros organismos marinhos? Afinal, 500 milhões de anos de experiência o fizeram evoluídos o suficiente para buscarem novas soluções em resposta às variações climáticas atuais. De qualquer forma, esse é um bom exemplo para mostrar que precisamos avaliar melhor o quadro evolutivo das espécies e perceber qual animal é de fato evoluído. Wander Godinho Engenheiro de Pesca Bch. Mestrando em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca Fortaleza, 12 de novembro de 2009.

Um comentário:

  1. Muito interessante este ponto de vista. Muita gente acha que somos o topo da evolução e esquece que, na verdade, não existe topo, e sim diversas maneiras diferentes de se adaptar. Inclusive atribuímos nossa superioridade em achar que somente os seres humanos são capazes de causar desequilíbrios na natureza, mas em menor ou maior grau, todos os seres vivos podem ser pertubadores do ambiente em que vivem, muitas vezes superexplorando seus recursos.
    Não estou querendo justificar nosso impacto na natureza, no entanto, todos os males que causamos podem ser apenas resultado da nossa própria natureza.
    Mas felizmente, a evolução nos dotou de um cérebro desenvolvidos que nos faz refletir sobre nossos atos e por isso podemos agir de forma mais sustentável!
    Liana Rodrigues Queiroz
    Doutoranda em Ciências Marinhas Tropicais-Labomar

    ResponderExcluir